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HISTÓRIA ORAL: EM BUSCA DE NOSSAS RAÍZES

Profa. Dra. Sônia Maria Freitas

O curso tem por objetivo abordar a potencialidade e as diferentes possibilidades da história oral em seus aspectos teóricos, metodológicos e práticos.

É inegável a dimensão que o debate sobre a história oral vem assumindo nas ciências sociais, principalmente por sua abrangência pedagógica e interdisciplinar e por sua importância na interpretação das representações sociais e do conteúdo simbólico. Destaca-se aqui a reconstrução da memória através da valorização do vivido. O recurso de fontes orais não é tão simples como a maioria dos pesquisadores imaginam, pois isso implica na utilização de metodologia específica.

Nesse sentido, o curso destaca as possibilidades da história oral na produção de conhecimento, em projetos comunitários, Museus e outras instituições, na prática didática entre outras. É nosso intuito incentivar o desenvolvimento de projetos de história oral pelo grupo, buscando a reconstrução da memória da cidade.

PLANO DE TRABALHO
1. História Oral: definição, a história da história oral, historiografia e história oral.
Tradição oral X História de Vida X História Oral Temática.
Diferenciação conceitual e metodológica.
Apresentação de vídeo

2. A realização de uma pesquisa utilizando o método da História Oral pressupõe a necessidade de um conjunto de orientações. A partir de uma perspectiva metodológica e prática, apresentaremos as etapas necessárias para a realização de projeto de pesquisa dessa natureza:
. Projeto
. Pesquisa
. Roteiro
. Técnicas de entrevista
. Uso de gravador, vídeo, máquina fotográfica, etc.
. Medidas pós-entrevista
. Produtos e sub-produtos da pesquisa
. Catalogação e armazenamento
Nesta etapa, os participantes deverão desenvolver roteiros e realizar entrevistas com pessoas do próprio grupo.

3. Apresentação de material produzido pelas equipes, seguido de análise.

4 Gravação de depoimentos ao vivo com moradores antigos da Vila de Paranapiacaba, com intuito de valorizar e incentivar o resgate da história local. Análise dos depoimentos pelo grupo: questões teóricas e práticas.
BIBLIOGRAFIA

. ALBERTI, Verena. A Experiência do CPDOC. Rio de Janeiro, FGV/CPDOC, 1989.
. BOSI, Eclea. Memória e Sociedade: Lembranças de Velhos. São Paulo: T. A. Queiroz, 1979.
. FERREIRA, Marieta de Moraes (Coord.). Entre-Vistas: abordagens e usos da História Oral. Rio de Janeiro: FVG/CPDOC, 1994.
. FREITAS, Sônia Maria de. Reminiscências. São Paulo: Editora Maltese, 1993.
. ________________________. História Oral: possibilidades e procedimentos. São Paulo, Humanitas/USP e Imprensa Oficial, 2002.
. _________________________. Presença Portuguesa em São Paulo.
Imprensa Oficial/Memorial do Imigrante, 2006.
. MEIHY, J. C. B., LEVINE, Robert M. Cinderela Negra: a saga de Carolina Maria de Jesus. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1994.

. _____________. (org.) Re-Introduzindo a história oral no Brasil. São Paulo: Xamã, 1996.
. PASSERINI, Luisa. “Mitobiografia em História Oral”. In: Projeto História 10, São Paulo: EDUC, 1993.
. PERELMUTTER, Daisy, ANTONACCI, Maria Antonieta. Ética e História Oral. São Paulo; EDUC, 1981. (Projeto História 15)
. Portellli, Alessandro. “Sonhos Ucrônicos. Memória e possíveis mundos dos trabalhadores”. In: Projeto História 10, São Paulo: EDUC, 1993
. QUEIROZ, Maria Isaura P. de. “Relatos Orais: do ‘indizível’ ao ‘dizível’, In: Ciência e Cultura, 239(3), pp. 272-286.
. THOMPSON, Paul. A Voz do Passado: História Oral. São Paulo: Paz e Terra, 1992.

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Programa

Programa – Encontro I e II – Lilian Amaral

Encontro I: Revelando Limites da Percepção – 18.09.07
Soundscape – Tour. Ativar o espaço.
Síntese – Percepção ampliada.
Local: Clube Lira Serrano

Encontro II: Atuação no Espaço, Coleta. 02.10.07 e 09.10.07
Revisitando e Transgredindo os Limites da Percepção

Encontro III, IV, V,: Conteúdos, objetivo e narrativa. História Oral
Profa. Dra. Sônia Maria Freitas: 16.10, 23.10 e 30.10.

Encontro VI, VII, VIII – Documentário.
Lilian Amaral – Museu Aberto e André Costa – Olhar Periférico.
25.10, 01.11, 08.11, 22.11 e 29.11.07

Encontro IX – Definição do Projeto e da forma de apresentação. Edição. Montagem e divulgação. Novembro
Lilian Amaral – Museu Aberto e André Costa – Olhar Periférico.

Encontro X: Execução dos projetos nos espaços definidos (espaços físicos ou conceituais) e definição de um circuito e do sentido curatorial da inter-relação dos projetos. 1 de Dezembro.
Lilian Amaral – Museu Aberto,  André Costa – Olhar Periférico e Rogério Nagaoka – Espaço Coringa.

Encontro XI: Ativação do circuito e atuações junto ao público. Casa da Memória e Projeto 24 Horas: Uma Línea em la Ciudad. Ações, Registros, Avaliação. 1 de Dezembro

Bibliografia

AMARAL, Lilian. Mapas Urbanos: Arte Contemporânea, a Cidade e o Público.
In IX Encontro Nacional da ANPAP, Anais 1997, v. 2.. Comunicações, Linguagens Visuais.

AMARAL, Lilian. Fronteiras do Visível. Arte Pública na Avenida Paulista: um
estudo-intervenção na cidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. Escola de comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, 2000.

JEUDY, Henry-Pierre. Memórias do Social. Rio de Janeiro: Forense Universitária,
1990.

NOVAES, Adauto. O Olhar. São Paulo: Companhia da Letras, 1995.

SANTAELLA, Lucia. A leitura fora do Livro. Texto capturado in POESIA INTERSIGNOS
http//www.pucsp.br/~com-puc/epe/mostra/santaell.htm – setembro 2007.

SCHAFER, R. Murray. A Nova Paisagem Sonora in O ouvido pensante. São
Paulo:UNESP, 1991, pp. 124-5 e 128.

Workshop PAISAGEM REVELADA

Dia 18 de Setembro – Dose Dupla
Encontro coordenado por Lilian Amaral
Curadora da Casa da Memória: Núcleo da Memória Audiovisual da Paisagem Humana de Paranapiacaba. Artista visual, pesquisadora, especialista em Arte Pública, doutoranda em Artes pela ECA/USP. Membro do Comitê de Ensino-aprendizagem da Arte da ANPAP – Assoc. Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas. Pesquisadora FAPESG. Representante Brasileira do POCS – Project for Open and Closed Space Sculpture Association/Barcelona.

Das 10 às 13h: Paisagem Revelada: A Observação e o Caminhar como Prática estética. Conteúdos: Ampliação e ativação da Percepção, Re-conhecimento do espaço: coleta de estímulos sensoriais.
Das 13 às 14h: almoço
Das 14 às 17h: Cartografias da Memória. Arte Pública: arte, vida e comunidade. Experiências no Brasil e Exterior.

Discussões em grupo para organização de desdobramentos subsequentes.

Dia 25 de Setembro – Trabalho do grupo de participantes do Projeto Colaborativo – Pesquisa sobre suas memórias com o lugar. “Minha Cartografia da memória”.

Workshop Rogério Nagaoka

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fotos Ingo Grantsau:

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Workshop de Processos Fotográficos

Será uma proposta de contato com os princípios óticos que busca aproximar a produção e a reflexão artística ao meio sociocultural, estabelecendo um diálogo entre o trabalho de artistas, um lugar e sua comunidade. Parte da proposta é difundir o conhecimento sobre processos fotográficos a partir da percepção visual. Será desenvolvida uma reflexão sobre a cidade e produzidos trabalhos numa ação coletiva, que envolverá as relações dos participantes com o lugar e sua história. Ministrado por Rogério Nagaoka.

O objetivo é gerar um fluxo de relações entre o artista e o meio social, a comunidade e o trabalho artístico. Propor uma reflexão sobre o espaço, através da arte.

Material necessário: Qualquer objeto que possa ser utilizado como negativo, objetos tri ou bi-dimensionais que possuam alguma característica interessante em sua relação luz e sombra.

Workshop Elizabeth Chanampa #3

Encontro do dia 28 de agosto.

O nosso objetivo foi poder aportar conhecimentos que possibilitem evidenciar, discutir e escolher livremente os critérios para a construção audiovisual.

Por isso, desenvolvemos neste dia dois temas fundamentais para essa abordagem: a pesquisa e o roteiro.

A Pesquisa.

Investigamos para descobrir o que não se sabe. Para que se veja aquilo que não se viu. Determinar a priori o resultado não é pesquisar, é prejulgar e manipular.

a. Passos de uma pesquisa: eleição e recorte do tema, hipótese, analise e constatação de fontes, conclusão.

b. Fontes da pesquisa:
-Existentes: documentos escritos, sonoros, visuais, incluindo ficções.
-A Construir: entrevistas

Cada tipo de fonte tem sua própria linguagem que requer um tratamento específico. Se trata de respeitar cada especificidade e considerar as condições e possibilidades de cada uma delas.

O Roteiro.

O roteiro é a estrutura que nos permitirá organizar a diversidade e riqueza dos conteúdos do tema escolhido e estruturar todos eles (imagens, palavras e sons) num eixo narrativo.

a) A idéia
b) O tratamento. Partes e tempos. Noção de elipse.
Os tempos dos planos.
c) Texto e subtexto
d) Tipos de roteiros para documentários:

– Estruturados sobre um relato em off de um locutor.
– Estruturado em base a testemunhas orais.
– Estruturado utilizando as possibilidades narrativas das palavras e as imagens.

É muito importante ter em conta que em toda narrativa sempre há um texto e um subtexto. Nós não sempre falamos o que pensamos, nem fazemos o que falamos. Das nossas ações se desprendem outros conteúdos que podem complementar ou entrar em conflito com o que declaramos.

Análise de imagens

Na nossa modalidade de trabalho, incluímos um intercambio com o trabalho de campo já realizado, no encontro anterior tínhamos solicitado ao grupo que expressassem numa imagem (fotografia, colagem, pintura, vídeo, etc.) os textos por eles desenvolvidos com os seguintes temas:
EXPERIÊNCIA PESSOAL/ RELATO SOCIAL/CORPO PERCURSO TERRITÓRIO/

Foi muito importante ver e analisar juntos a estrutura da imagem, sua composição, os elementos incorporados, a diversidade de técnicas usadas y sobre todo o percurso vivido e experimentado por cada um deles.

Workshop Elizabeth Chanampa #2

Encontro realizado no dia 21 de agosto

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Temática: Enquadramentos, angulações e planos. A imagem, o olhar e o áudio-documental. Diferentes representações e possibilidades expressivas.

Revisão: vamos relembrar algumas questões fundamentais que foram abordadas no nosso encontro.

“Se observamos a realidade muito próximos dela…a realidade se torna fantástica”
(Diane Arbus .Fotógrafa (1923-1971)

Podemos observar nesta frase dois sentidos: que a realidade é fora do comum, extraordinária, prodigiosa, fascinante e que essa realidade só existe em nossa imaginação. Essa relação ambígua é o próprio paradoxo da fotografia documental.

Quando falamos de imagem documental, de que fotografias estamos deixando de falar? uma imagem pelo só fato de ser construída perde esse caráter de documento?, como poderíamos estabelecer as características básicas que nos definam a fotografia documental? É a forma de fotografar um certificado de veracidade?, a foto documental é então um monte de mentiras?

Analisamos exemplos de fotografias que usaram o mais sofisticado da tecnologia ou câmaras primitivas, imagens obtidas de maneira mais tradicional ou imagens obtidas com câmeras digitais, ensaios realistas que criam efeitos dramáticos e fotografias que procuram um ideal estético.

Pensamos que toda fotografia pode-se ler desde uma perspectiva documental, se consideramos que responde a inquietudes, dúvidas, afirmações ou negações de uma época e um contexto próprios do criador; que tem a ver com ideologias, crises, crenças, sonhos, utopias e realidades. E concluímos que, a fotografia documental se faz experimentando, é um “processo de construção” onde se incorporam metodologias e técnicas de investigação social.
Análise áudio-visual.

A respeito do áudio documental, idealizamos a construção do som nas suas diferentes formas expressivas: palavra, ruído e música, dando especial destaque à valorização do silêncio.

Analisamos na imagem sua própria linguagem, e sua irredutibilidade à palavra: ambas se complementam, se questionam, se problematizam, mas nunca se submete uma à outra.

Outra poesia para nós e desta vez de Manoel de Barros. (Seu olhar procura o pequeno, o sem importância).

De tarde fui olhar a Cordilheira dos Andes que
se perdia nos longes da Bolívia
E veio uma iluminura em mim.
Foi a primeira iluminura.
Daí botei meu primeiro verso:
Aquele morro bem que entorta a bunda da paisagem.
Mostrei a obra pra minha mãe.
A mãe falou:
Agora você vai ter que assumir as suas
irresponsabilidades.
Eu assumi: entrei no mundo das imagens.

De: Ensaios fotográficos (2000) Poema “O poeta” (fragmento) ZUNÁI – Revista de Poesia & Debates.

material da aula sobre enquadramento, clique aqui.