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Workshop PAISAGEM REVELADA: Encontro II: Atuação no Espaço, Coleta.

Conceito: Arte/Cidade/Percepção/Deslocamento/Espaço

Revelação do lugar através da realização de intervenções e interações efêmeras (intervenções poéticas – texto, som, imagem, performance, paisagismo,…).

Criação de novas paisagens.

Potencialização de experiências e lugares, criando mecanismos e situações que propiciem a apropriação dos espaços por meio da observação ativa.

Observação Ativa: desenvolvimento de métodos de investigação que podem se caracterizar das seguintes formas: classificatório, documental, performático, construtivo/desconstrutivo, inserção (textos, imagens, sons, etc).

1. Descrição
2. Metodologia
Os participantes primeiramente serão estimulados a “praticar o lugar” por meio de um tour liderado pelos artistas/provocadores, no qual se desenvolvem experiências sensoriais e perceptivas.

Os participantes desenvolverão explorações, tais como: mapas, registros – desenho, fotografia, vídeo, entrevistas, etc, como uma etapa intermediária de apropriação do lugar.

Como resultados das explorações os participantes desenvolverão intervenções e projetos no território (institucional e urbano/entorno ou virtual) em diferentes níveis: da maquete ao website, da performance ao objeto, da inserção de textos a projeções de imagens, de desenhos a criações sonoras).

As intervenções podem resultar em um novo tour ou em pequenas mostras, abertas ao público urbano.

Criação de um circuito ou tour que envolva os espaços institucionais e urbanos do entorno, provocando a percepção dos participantes/público em relação ao potencial dos espaços e ambientes circunscritos ao território – Museu a Céu Aberto.

Situação metafórica de exploração, aplicável a qualquer contexto, estimula e valida práticas de apropriação e identidade local.

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Workshop Lilian Amaral

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PAISAGEM REVELADA: a observação e o caminhar como prática estética.

Na cultura contemporânea nossos sentidos estão sempre tentando se defender contra a inundação de estímulos e ruídos de toda ordem, tanto visuais, sonoros  quanto intelectuais.

O Workshop “Paisagem Revelada: A Observação e o Caminhar como Prática Estética – Parte I, ministrado por Lilian Amaral, artista visual e curadora da Casa da Memória teve entre seus objetivos estimular a imaginação e a percepção  acerca do lugar e do ambiente, levando o participante a fazer observações e conexões entre seu corpo e o espaço ao seu redor. Através das práticas imaginativas sugeridas durante o workshop, pode-se encontrar uma nova possibilidade, esperança, surpresa e/ou encantamento que inspire, ensine e também sugira uma nova maneira de habitar ou experienciar o mundo.

Proposta: Perscrutar as paisagens interiores a partir de estímulos sensoriais que articulam percepção e memória. Estimular a percepção critica e criativa acerca da paisagem urbana cotidiana para a qual lançamos olhares indiferentes, sem percebermos que é desta ambiência (ou falta de horizontes) que resultam certas características da experiência contemporânea (sentido de isolamento na multidão, perda da subjetividade, transitoriedade e superficialidade).

Considerando que vivemos na era do espetáculo e da superexposição, propõe-se uma ação contrária, uma desaceleração na experiência simples de contemplação da paisagem.

Tendo como pano de fundo a Vila de Paranapiacaba, pretende-se que as ações/intervenções realizadas no processo em curso possam revelar também paisagens ocultadas pela aceleração imposta na contemporaneidade e desvelar aspectos da história local ao lado de sua atualidade, trazendo para o plano perceptível as constantes transformações urbanas e seus desdobramentos na vida cotidiana.
1. Descrição
2. Metodologia

Atividade desenvolvida

– Soundscape – tour . Coleta / Deslocamento individual pelo entorno ao ar livre por 10 minutos, focado na captação de paisagens sonoras. Estímulo à percepção, a estados de atenção, seleção.

– Síntese – Descrição individual das paisagens sonoras, aberta à participação e colaboração do grupo. Identificação das diversas camadas sonoras e sensoriais – objetivas e subjetivas, as associações suscitadas, nomeando a experiência por meio da síntese   – verbo – que ative, indique a ação, o posicionamento de cada sujeito participante.
A Percepção e o Caminhar como Prática Estética

SOUNSCAPE / TOUR

Circuito ativado – Agentes da Memória
Som ganha importância no lugar, como se a vila fosse um amplificador, o som reverbera.

Pedro:
Silêncio. Passos, sons de moçada conversando na praça, som de pássaros e som de rádio de uma casa, som de pássaros dando referência de sons locais, torneiras abertas, máquinas de lavar, vozes de crianças, rádio, passos de crianças em silêncio, casa com rádio baixinho, algumas movimentações de carro que tampa tudo [não conseguiu ouvir o som das árvores].
Verbo: “Conviver”.

Gabriel:
Várias camadas; seus próprios passos, vento, cachorro e criança, carro encobrindo, crianças de skate batendo no chão, conversas, gritos, rádio bem alto – música evangélica, silêncio. Houve momentos de silêncio absoluto, entrecortados.
A palavra que sintetiza é “misturado”. Verbo: “Misturar”.

Wilson:
Silêncio. Pássaros, música, pessoas conversando, galinha, passarinhos. Telefone tocando, crianças, barulho de máquina. “Eu gosto de silêncio e de barulhos de máquinas”.
Verbo: “Pensar”.

Ameya:
Levantei da cadeira, respirando. Sons de vozes conversando. Sons descendo a escada. Tênis resvalando. Som oco do assoalho na sala de troféu. Cumprimento de outra pessoa. Som de machado. Vibração aguda de som de máquina. Grupo de alunos, som Dexter. Som coreanos – conversa. Estalar da própria mandíbula.
Verbo: “Viver”/”Vivendo”.

Doel:
Desliguei o cérebro. Hinos evangélicos. Ouvi um sabiá. Passos da cachorrinha  seguindo-o. Crianças discutindo. Latidos de outros cães. Escutando o vento e a neblina. Alarme do castelo. Ouvi uma locomotiva diesel na estrada. Mas, antes, desligar dos outros sons.
Verbo: “Desligar”.

Cida:
Som de rádio. Em volta do clube, pássaros cantando. O vento forte balançando as árvores. Silêncio, em casa. Barulho da máquina passando na ferrovia. Trabalhadores arrumando a cerca do fundo. Crianças brincando no parquinho. E barulho da turma chegando. Verbo: “Experimentar”.

Rosana
Ouvi pessoas andando. Vozes de um grupo de pessoas. Ferramenta do jardineiro. Cantar dos pássaros, antes mesmo de sair, lá fora, mais evidente. Barulho do vento nas árvores. Rádio. Latir dos cachorros, ouvindo os próprios passos e o respirar. Quando houve conversa, quebrou o ambiente – barulho humano, no retorno ao salão.
Verbo: “Andar”.

Ever:
Passos na escada de madeira. Pássaros. Rodas de skate no cimento. Serra elétrica cortando madeira.
Verbo: “Escutar”.

Renata:
Barulho de pássaros, do vento. Pessoas conversando, dando risada. Rádio. Latidos de cachorros.
Verbo: “Unir” (diversidades).

Lisa:
Ouvi os passos, na escada. Salão do Lira: acústica. Ao passar na janela, som de pássaro e vento, interferindo na percepção. Enxadinha do trabalhador. Fundo: crianças, cachorro. Intervenção de carro.
Som de frente: pássaro. Fundo, sempre, o tempo todo.
Verbo: “Captar”.

Felipe:
Começou lá fora, escutando passos no paralelepípedo. Passos na terra. Pássaros, o tempo inteiro. Perto do núcleo de cerâmica, barulho das máquinas. Ao lado da casa de máquinas abandonada, o som do silêncio que havia lá dentro – espaço desabitado. Barulho de água (nascente ou esgoto). Barulho do vento nas árvores, que se moviam. Voz da Lisa.
Verbo: “Caminhar”.
SÍNTESE

As análises das coletas sonoras individuais discutidas coletivamente acessaram outras camadas. 

AO FINAL DAS DISCUSSÕES AS PERCEPÇÕES AMPLIARAM PARA:

Misturar (espaços e tempos) = Observação da mistura passageira
Conviver (com as diferenças) = Conflitar
Pensar (mais atentamente, seletivamente) = Analisar
Viver (experiência / buscar plenitude) = Vivenciar
Desligar (do que não interessa) = Editar
Experimentar (novas sensações / liberdade) = Libertar(-se)
Andar (atento) = Observar
Escutar (consciente)
Unir diversidades
Captar (espacialmente) = Captar organizadamente / “Capturar”
Caminhar (escolhendo / atento) = Selecionar / Editar

O resultado foi surpreendente, rompeu com alguns estereótipos relacionados às paisagens da memória, revelando singularidades, numa arqueologia das memórias soterradas.