cronograma

Outubro, Novembro e Dezembro.

A artista visual e pesquisadora Lílian Amaral abordará o tema “Paisagem Revelada: A Percepção e o caminhar como prática Estética. Cartografias, Percursos, Territórios” em setembro. Na oportunidade o artista multimídia Rogério Nagaoka – membro do Espaço Coringa -ministrará workshop abordando mediações da arte no espaço público por meio da imagem fotográfica.

Em outubro o tema dos encontros será “Arqueologia da Memória: uma micro-história no tempo e no espaço, com participação da Sônia Maria Freitas, Doutora em História Social/USP, especialista em História Oral pela
Universidade de Essex, Grã-Bretanha. ex-pesquisadora e curadora do Memorial do Imigrante e André Costa, documentarista, professor da FAAP e diretor do Olhar Periférico.

No mês de novembro os encontros abordarão os “Imaginários Urbanos: mediações entre história pública e imagens privadas”, com André Costa e Lilian Amaral.

Eventos de Abertura da Casa da Memória – Núcleo da Memória Audiovisual da Paisagem Humana de Paranapiacaba.

Dezembro – “24 Horas: Una Linea en la Ciudad. Interações artísticas e não-artísticas no espaço público”, com a participação de Daniel Toso, Lílian Amaral, Rogério Nagaoka, André Costa, da bióloga e artista visual norte-americana Katherine Bash, do coletivo Entretantos, Fora do Eixo, do grupo de Pesquisa da UnB Corpos Informáticos, coordenado por Bia Medeiros e representantes da comunidade de artistas e não-artistas de Paranapiacaba.

Ciclo de vídeos abordará relações entre Arte, Memória, Cidade e Identidade, prevista para a abertura da Casa da Memória,  uma parceria com curadoria de Solange Farkas da Associação Videobrasil.

Mesa redonda discutirá panorama de relações nas “Práticas Colaborativas e Mediações da Arte:  Por uma Cartografia da Memória.  Espaços em Transito e Lugares de Experiências”, com participação de Ana Mae Barbosa, Profa. Livre docente da ECA/USP, Priscila Arantes, crítica, teórica, pesquisadora e curadora no campo da arte contemporânea e tecnológica, Profa. da Graduação e Pós-Graduação em Arte e Tecnologia da PUC-SP e do Centro Universitário Senac e Diretora técnica do Paço das Artes, Maria Adélia de Souza, Geógrafa, Profa. Livre docente da FFLCH/USP e Presidente do Territorial, Edgard de Assis Carvalho, Antropólogo, Prof. Livre-Docente do Curso de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUC-SP, Coordenador do Núcleo da Complexidade e Ex-presidente do Condephaat, Arquiteto. José Saia, representante regional do IPHAN/SP e Paula Caetano, diretora da Casa do Olhar, Santo André/SP.

Estruturados a partir do projeto colaborativo, interdisciplinar e processual, os resultados decorrentes dos workshops, palestras e investigações irão integrar o banco de dados, acervo da Casa da Memória, a ser inaugurada em Dezembro. O Projeto Colaborativo Casa da Memória – Núcleo da Memória Audiovisual da Paisagem Humana de Paranapiacaba, integrante do Museu a Céu Aberto é uma realização da Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense, da prefeitura de Santo André, estado de São Paulo, Brasil.

HISTÓRIA ORAL: EM BUSCA DE NOSSAS RAÍZES

Profa. Dra. Sônia Maria Freitas

O curso tem por objetivo abordar a potencialidade e as diferentes possibilidades da história oral em seus aspectos teóricos, metodológicos e práticos.

É inegável a dimensão que o debate sobre a história oral vem assumindo nas ciências sociais, principalmente por sua abrangência pedagógica e interdisciplinar e por sua importância na interpretação das representações sociais e do conteúdo simbólico. Destaca-se aqui a reconstrução da memória através da valorização do vivido. O recurso de fontes orais não é tão simples como a maioria dos pesquisadores imaginam, pois isso implica na utilização de metodologia específica.

Nesse sentido, o curso destaca as possibilidades da história oral na produção de conhecimento, em projetos comunitários, Museus e outras instituições, na prática didática entre outras. É nosso intuito incentivar o desenvolvimento de projetos de história oral pelo grupo, buscando a reconstrução da memória da cidade.

PLANO DE TRABALHO
1. História Oral: definição, a história da história oral, historiografia e história oral.
Tradição oral X História de Vida X História Oral Temática.
Diferenciação conceitual e metodológica.
Apresentação de vídeo

2. A realização de uma pesquisa utilizando o método da História Oral pressupõe a necessidade de um conjunto de orientações. A partir de uma perspectiva metodológica e prática, apresentaremos as etapas necessárias para a realização de projeto de pesquisa dessa natureza:
. Projeto
. Pesquisa
. Roteiro
. Técnicas de entrevista
. Uso de gravador, vídeo, máquina fotográfica, etc.
. Medidas pós-entrevista
. Produtos e sub-produtos da pesquisa
. Catalogação e armazenamento
Nesta etapa, os participantes deverão desenvolver roteiros e realizar entrevistas com pessoas do próprio grupo.

3. Apresentação de material produzido pelas equipes, seguido de análise.

4 Gravação de depoimentos ao vivo com moradores antigos da Vila de Paranapiacaba, com intuito de valorizar e incentivar o resgate da história local. Análise dos depoimentos pelo grupo: questões teóricas e práticas.
BIBLIOGRAFIA

. ALBERTI, Verena. A Experiência do CPDOC. Rio de Janeiro, FGV/CPDOC, 1989.
. BOSI, Eclea. Memória e Sociedade: Lembranças de Velhos. São Paulo: T. A. Queiroz, 1979.
. FERREIRA, Marieta de Moraes (Coord.). Entre-Vistas: abordagens e usos da História Oral. Rio de Janeiro: FVG/CPDOC, 1994.
. FREITAS, Sônia Maria de. Reminiscências. São Paulo: Editora Maltese, 1993.
. ________________________. História Oral: possibilidades e procedimentos. São Paulo, Humanitas/USP e Imprensa Oficial, 2002.
. _________________________. Presença Portuguesa em São Paulo.
Imprensa Oficial/Memorial do Imigrante, 2006.
. MEIHY, J. C. B., LEVINE, Robert M. Cinderela Negra: a saga de Carolina Maria de Jesus. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1994.

. _____________. (org.) Re-Introduzindo a história oral no Brasil. São Paulo: Xamã, 1996.
. PASSERINI, Luisa. “Mitobiografia em História Oral”. In: Projeto História 10, São Paulo: EDUC, 1993.
. PERELMUTTER, Daisy, ANTONACCI, Maria Antonieta. Ética e História Oral. São Paulo; EDUC, 1981. (Projeto História 15)
. Portellli, Alessandro. “Sonhos Ucrônicos. Memória e possíveis mundos dos trabalhadores”. In: Projeto História 10, São Paulo: EDUC, 1993
. QUEIROZ, Maria Isaura P. de. “Relatos Orais: do ‘indizível’ ao ‘dizível’, In: Ciência e Cultura, 239(3), pp. 272-286.
. THOMPSON, Paul. A Voz do Passado: História Oral. São Paulo: Paz e Terra, 1992.

Workshop PAISAGEM REVELADA: Encontro II: Atuação no Espaço, Coleta.

Conceito: Arte/Cidade/Percepção/Deslocamento/Espaço

Revelação do lugar através da realização de intervenções e interações efêmeras (intervenções poéticas – texto, som, imagem, performance, paisagismo,…).

Criação de novas paisagens.

Potencialização de experiências e lugares, criando mecanismos e situações que propiciem a apropriação dos espaços por meio da observação ativa.

Observação Ativa: desenvolvimento de métodos de investigação que podem se caracterizar das seguintes formas: classificatório, documental, performático, construtivo/desconstrutivo, inserção (textos, imagens, sons, etc).

1. Descrição
2. Metodologia
Os participantes primeiramente serão estimulados a “praticar o lugar” por meio de um tour liderado pelos artistas/provocadores, no qual se desenvolvem experiências sensoriais e perceptivas.

Os participantes desenvolverão explorações, tais como: mapas, registros – desenho, fotografia, vídeo, entrevistas, etc, como uma etapa intermediária de apropriação do lugar.

Como resultados das explorações os participantes desenvolverão intervenções e projetos no território (institucional e urbano/entorno ou virtual) em diferentes níveis: da maquete ao website, da performance ao objeto, da inserção de textos a projeções de imagens, de desenhos a criações sonoras).

As intervenções podem resultar em um novo tour ou em pequenas mostras, abertas ao público urbano.

Criação de um circuito ou tour que envolva os espaços institucionais e urbanos do entorno, provocando a percepção dos participantes/público em relação ao potencial dos espaços e ambientes circunscritos ao território – Museu a Céu Aberto.

Situação metafórica de exploração, aplicável a qualquer contexto, estimula e valida práticas de apropriação e identidade local.

Programa

Programa – Encontro I e II – Lilian Amaral

Encontro I: Revelando Limites da Percepção – 18.09.07
Soundscape – Tour. Ativar o espaço.
Síntese – Percepção ampliada.
Local: Clube Lira Serrano

Encontro II: Atuação no Espaço, Coleta. 02.10.07 e 09.10.07
Revisitando e Transgredindo os Limites da Percepção

Encontro III, IV, V,: Conteúdos, objetivo e narrativa. História Oral
Profa. Dra. Sônia Maria Freitas: 16.10, 23.10 e 30.10.

Encontro VI, VII, VIII – Documentário.
Lilian Amaral – Museu Aberto e André Costa – Olhar Periférico.
25.10, 01.11, 08.11, 22.11 e 29.11.07

Encontro IX – Definição do Projeto e da forma de apresentação. Edição. Montagem e divulgação. Novembro
Lilian Amaral – Museu Aberto e André Costa – Olhar Periférico.

Encontro X: Execução dos projetos nos espaços definidos (espaços físicos ou conceituais) e definição de um circuito e do sentido curatorial da inter-relação dos projetos. 1 de Dezembro.
Lilian Amaral – Museu Aberto,  André Costa – Olhar Periférico e Rogério Nagaoka – Espaço Coringa.

Encontro XI: Ativação do circuito e atuações junto ao público. Casa da Memória e Projeto 24 Horas: Uma Línea em la Ciudad. Ações, Registros, Avaliação. 1 de Dezembro

Bibliografia

AMARAL, Lilian. Mapas Urbanos: Arte Contemporânea, a Cidade e o Público.
In IX Encontro Nacional da ANPAP, Anais 1997, v. 2.. Comunicações, Linguagens Visuais.

AMARAL, Lilian. Fronteiras do Visível. Arte Pública na Avenida Paulista: um
estudo-intervenção na cidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. Escola de comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, 2000.

JEUDY, Henry-Pierre. Memórias do Social. Rio de Janeiro: Forense Universitária,
1990.

NOVAES, Adauto. O Olhar. São Paulo: Companhia da Letras, 1995.

SANTAELLA, Lucia. A leitura fora do Livro. Texto capturado in POESIA INTERSIGNOS
http//www.pucsp.br/~com-puc/epe/mostra/santaell.htm – setembro 2007.

SCHAFER, R. Murray. A Nova Paisagem Sonora in O ouvido pensante. São
Paulo:UNESP, 1991, pp. 124-5 e 128.

Workshop Lilian Amaral

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PAISAGEM REVELADA: a observação e o caminhar como prática estética.

Na cultura contemporânea nossos sentidos estão sempre tentando se defender contra a inundação de estímulos e ruídos de toda ordem, tanto visuais, sonoros  quanto intelectuais.

O Workshop “Paisagem Revelada: A Observação e o Caminhar como Prática Estética – Parte I, ministrado por Lilian Amaral, artista visual e curadora da Casa da Memória teve entre seus objetivos estimular a imaginação e a percepção  acerca do lugar e do ambiente, levando o participante a fazer observações e conexões entre seu corpo e o espaço ao seu redor. Através das práticas imaginativas sugeridas durante o workshop, pode-se encontrar uma nova possibilidade, esperança, surpresa e/ou encantamento que inspire, ensine e também sugira uma nova maneira de habitar ou experienciar o mundo.

Proposta: Perscrutar as paisagens interiores a partir de estímulos sensoriais que articulam percepção e memória. Estimular a percepção critica e criativa acerca da paisagem urbana cotidiana para a qual lançamos olhares indiferentes, sem percebermos que é desta ambiência (ou falta de horizontes) que resultam certas características da experiência contemporânea (sentido de isolamento na multidão, perda da subjetividade, transitoriedade e superficialidade).

Considerando que vivemos na era do espetáculo e da superexposição, propõe-se uma ação contrária, uma desaceleração na experiência simples de contemplação da paisagem.

Tendo como pano de fundo a Vila de Paranapiacaba, pretende-se que as ações/intervenções realizadas no processo em curso possam revelar também paisagens ocultadas pela aceleração imposta na contemporaneidade e desvelar aspectos da história local ao lado de sua atualidade, trazendo para o plano perceptível as constantes transformações urbanas e seus desdobramentos na vida cotidiana.
1. Descrição
2. Metodologia

Atividade desenvolvida

– Soundscape – tour . Coleta / Deslocamento individual pelo entorno ao ar livre por 10 minutos, focado na captação de paisagens sonoras. Estímulo à percepção, a estados de atenção, seleção.

– Síntese – Descrição individual das paisagens sonoras, aberta à participação e colaboração do grupo. Identificação das diversas camadas sonoras e sensoriais – objetivas e subjetivas, as associações suscitadas, nomeando a experiência por meio da síntese   – verbo – que ative, indique a ação, o posicionamento de cada sujeito participante.
A Percepção e o Caminhar como Prática Estética

SOUNSCAPE / TOUR

Circuito ativado – Agentes da Memória
Som ganha importância no lugar, como se a vila fosse um amplificador, o som reverbera.

Pedro:
Silêncio. Passos, sons de moçada conversando na praça, som de pássaros e som de rádio de uma casa, som de pássaros dando referência de sons locais, torneiras abertas, máquinas de lavar, vozes de crianças, rádio, passos de crianças em silêncio, casa com rádio baixinho, algumas movimentações de carro que tampa tudo [não conseguiu ouvir o som das árvores].
Verbo: “Conviver”.

Gabriel:
Várias camadas; seus próprios passos, vento, cachorro e criança, carro encobrindo, crianças de skate batendo no chão, conversas, gritos, rádio bem alto – música evangélica, silêncio. Houve momentos de silêncio absoluto, entrecortados.
A palavra que sintetiza é “misturado”. Verbo: “Misturar”.

Wilson:
Silêncio. Pássaros, música, pessoas conversando, galinha, passarinhos. Telefone tocando, crianças, barulho de máquina. “Eu gosto de silêncio e de barulhos de máquinas”.
Verbo: “Pensar”.

Ameya:
Levantei da cadeira, respirando. Sons de vozes conversando. Sons descendo a escada. Tênis resvalando. Som oco do assoalho na sala de troféu. Cumprimento de outra pessoa. Som de machado. Vibração aguda de som de máquina. Grupo de alunos, som Dexter. Som coreanos – conversa. Estalar da própria mandíbula.
Verbo: “Viver”/”Vivendo”.

Doel:
Desliguei o cérebro. Hinos evangélicos. Ouvi um sabiá. Passos da cachorrinha  seguindo-o. Crianças discutindo. Latidos de outros cães. Escutando o vento e a neblina. Alarme do castelo. Ouvi uma locomotiva diesel na estrada. Mas, antes, desligar dos outros sons.
Verbo: “Desligar”.

Cida:
Som de rádio. Em volta do clube, pássaros cantando. O vento forte balançando as árvores. Silêncio, em casa. Barulho da máquina passando na ferrovia. Trabalhadores arrumando a cerca do fundo. Crianças brincando no parquinho. E barulho da turma chegando. Verbo: “Experimentar”.

Rosana
Ouvi pessoas andando. Vozes de um grupo de pessoas. Ferramenta do jardineiro. Cantar dos pássaros, antes mesmo de sair, lá fora, mais evidente. Barulho do vento nas árvores. Rádio. Latir dos cachorros, ouvindo os próprios passos e o respirar. Quando houve conversa, quebrou o ambiente – barulho humano, no retorno ao salão.
Verbo: “Andar”.

Ever:
Passos na escada de madeira. Pássaros. Rodas de skate no cimento. Serra elétrica cortando madeira.
Verbo: “Escutar”.

Renata:
Barulho de pássaros, do vento. Pessoas conversando, dando risada. Rádio. Latidos de cachorros.
Verbo: “Unir” (diversidades).

Lisa:
Ouvi os passos, na escada. Salão do Lira: acústica. Ao passar na janela, som de pássaro e vento, interferindo na percepção. Enxadinha do trabalhador. Fundo: crianças, cachorro. Intervenção de carro.
Som de frente: pássaro. Fundo, sempre, o tempo todo.
Verbo: “Captar”.

Felipe:
Começou lá fora, escutando passos no paralelepípedo. Passos na terra. Pássaros, o tempo inteiro. Perto do núcleo de cerâmica, barulho das máquinas. Ao lado da casa de máquinas abandonada, o som do silêncio que havia lá dentro – espaço desabitado. Barulho de água (nascente ou esgoto). Barulho do vento nas árvores, que se moviam. Voz da Lisa.
Verbo: “Caminhar”.
SÍNTESE

As análises das coletas sonoras individuais discutidas coletivamente acessaram outras camadas. 

AO FINAL DAS DISCUSSÕES AS PERCEPÇÕES AMPLIARAM PARA:

Misturar (espaços e tempos) = Observação da mistura passageira
Conviver (com as diferenças) = Conflitar
Pensar (mais atentamente, seletivamente) = Analisar
Viver (experiência / buscar plenitude) = Vivenciar
Desligar (do que não interessa) = Editar
Experimentar (novas sensações / liberdade) = Libertar(-se)
Andar (atento) = Observar
Escutar (consciente)
Unir diversidades
Captar (espacialmente) = Captar organizadamente / “Capturar”
Caminhar (escolhendo / atento) = Selecionar / Editar

O resultado foi surpreendente, rompeu com alguns estereótipos relacionados às paisagens da memória, revelando singularidades, numa arqueologia das memórias soterradas.

Workshop PAISAGEM REVELADA

Dia 18 de Setembro – Dose Dupla
Encontro coordenado por Lilian Amaral
Curadora da Casa da Memória: Núcleo da Memória Audiovisual da Paisagem Humana de Paranapiacaba. Artista visual, pesquisadora, especialista em Arte Pública, doutoranda em Artes pela ECA/USP. Membro do Comitê de Ensino-aprendizagem da Arte da ANPAP – Assoc. Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas. Pesquisadora FAPESG. Representante Brasileira do POCS – Project for Open and Closed Space Sculpture Association/Barcelona.

Das 10 às 13h: Paisagem Revelada: A Observação e o Caminhar como Prática estética. Conteúdos: Ampliação e ativação da Percepção, Re-conhecimento do espaço: coleta de estímulos sensoriais.
Das 13 às 14h: almoço
Das 14 às 17h: Cartografias da Memória. Arte Pública: arte, vida e comunidade. Experiências no Brasil e Exterior.

Discussões em grupo para organização de desdobramentos subsequentes.

Dia 25 de Setembro – Trabalho do grupo de participantes do Projeto Colaborativo – Pesquisa sobre suas memórias com o lugar. “Minha Cartografia da memória”.

Workshop Rogério Nagaoka

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fotos Ingo Grantsau:

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Workshop de Processos Fotográficos

Será uma proposta de contato com os princípios óticos que busca aproximar a produção e a reflexão artística ao meio sociocultural, estabelecendo um diálogo entre o trabalho de artistas, um lugar e sua comunidade. Parte da proposta é difundir o conhecimento sobre processos fotográficos a partir da percepção visual. Será desenvolvida uma reflexão sobre a cidade e produzidos trabalhos numa ação coletiva, que envolverá as relações dos participantes com o lugar e sua história. Ministrado por Rogério Nagaoka.

O objetivo é gerar um fluxo de relações entre o artista e o meio social, a comunidade e o trabalho artístico. Propor uma reflexão sobre o espaço, através da arte.

Material necessário: Qualquer objeto que possa ser utilizado como negativo, objetos tri ou bi-dimensionais que possuam alguma característica interessante em sua relação luz e sombra.

Workshop Elizabeth Chanampa #3

Encontro do dia 28 de agosto.

O nosso objetivo foi poder aportar conhecimentos que possibilitem evidenciar, discutir e escolher livremente os critérios para a construção audiovisual.

Por isso, desenvolvemos neste dia dois temas fundamentais para essa abordagem: a pesquisa e o roteiro.

A Pesquisa.

Investigamos para descobrir o que não se sabe. Para que se veja aquilo que não se viu. Determinar a priori o resultado não é pesquisar, é prejulgar e manipular.

a. Passos de uma pesquisa: eleição e recorte do tema, hipótese, analise e constatação de fontes, conclusão.

b. Fontes da pesquisa:
-Existentes: documentos escritos, sonoros, visuais, incluindo ficções.
-A Construir: entrevistas

Cada tipo de fonte tem sua própria linguagem que requer um tratamento específico. Se trata de respeitar cada especificidade e considerar as condições e possibilidades de cada uma delas.

O Roteiro.

O roteiro é a estrutura que nos permitirá organizar a diversidade e riqueza dos conteúdos do tema escolhido e estruturar todos eles (imagens, palavras e sons) num eixo narrativo.

a) A idéia
b) O tratamento. Partes e tempos. Noção de elipse.
Os tempos dos planos.
c) Texto e subtexto
d) Tipos de roteiros para documentários:

– Estruturados sobre um relato em off de um locutor.
– Estruturado em base a testemunhas orais.
– Estruturado utilizando as possibilidades narrativas das palavras e as imagens.

É muito importante ter em conta que em toda narrativa sempre há um texto e um subtexto. Nós não sempre falamos o que pensamos, nem fazemos o que falamos. Das nossas ações se desprendem outros conteúdos que podem complementar ou entrar em conflito com o que declaramos.

Análise de imagens

Na nossa modalidade de trabalho, incluímos um intercambio com o trabalho de campo já realizado, no encontro anterior tínhamos solicitado ao grupo que expressassem numa imagem (fotografia, colagem, pintura, vídeo, etc.) os textos por eles desenvolvidos com os seguintes temas:
EXPERIÊNCIA PESSOAL/ RELATO SOCIAL/CORPO PERCURSO TERRITÓRIO/

Foi muito importante ver e analisar juntos a estrutura da imagem, sua composição, os elementos incorporados, a diversidade de técnicas usadas y sobre todo o percurso vivido e experimentado por cada um deles.

Workshop Elizabeth Chanampa #2

Encontro realizado no dia 21 de agosto

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Temática: Enquadramentos, angulações e planos. A imagem, o olhar e o áudio-documental. Diferentes representações e possibilidades expressivas.

Revisão: vamos relembrar algumas questões fundamentais que foram abordadas no nosso encontro.

“Se observamos a realidade muito próximos dela…a realidade se torna fantástica”
(Diane Arbus .Fotógrafa (1923-1971)

Podemos observar nesta frase dois sentidos: que a realidade é fora do comum, extraordinária, prodigiosa, fascinante e que essa realidade só existe em nossa imaginação. Essa relação ambígua é o próprio paradoxo da fotografia documental.

Quando falamos de imagem documental, de que fotografias estamos deixando de falar? uma imagem pelo só fato de ser construída perde esse caráter de documento?, como poderíamos estabelecer as características básicas que nos definam a fotografia documental? É a forma de fotografar um certificado de veracidade?, a foto documental é então um monte de mentiras?

Analisamos exemplos de fotografias que usaram o mais sofisticado da tecnologia ou câmaras primitivas, imagens obtidas de maneira mais tradicional ou imagens obtidas com câmeras digitais, ensaios realistas que criam efeitos dramáticos e fotografias que procuram um ideal estético.

Pensamos que toda fotografia pode-se ler desde uma perspectiva documental, se consideramos que responde a inquietudes, dúvidas, afirmações ou negações de uma época e um contexto próprios do criador; que tem a ver com ideologias, crises, crenças, sonhos, utopias e realidades. E concluímos que, a fotografia documental se faz experimentando, é um “processo de construção” onde se incorporam metodologias e técnicas de investigação social.
Análise áudio-visual.

A respeito do áudio documental, idealizamos a construção do som nas suas diferentes formas expressivas: palavra, ruído e música, dando especial destaque à valorização do silêncio.

Analisamos na imagem sua própria linguagem, e sua irredutibilidade à palavra: ambas se complementam, se questionam, se problematizam, mas nunca se submete uma à outra.

Outra poesia para nós e desta vez de Manoel de Barros. (Seu olhar procura o pequeno, o sem importância).

De tarde fui olhar a Cordilheira dos Andes que
se perdia nos longes da Bolívia
E veio uma iluminura em mim.
Foi a primeira iluminura.
Daí botei meu primeiro verso:
Aquele morro bem que entorta a bunda da paisagem.
Mostrei a obra pra minha mãe.
A mãe falou:
Agora você vai ter que assumir as suas
irresponsabilidades.
Eu assumi: entrei no mundo das imagens.

De: Ensaios fotográficos (2000) Poema “O poeta” (fragmento) ZUNÁI – Revista de Poesia & Debates.

material da aula sobre enquadramento, clique aqui.