Workshop Elizabeth Chanampa #2

Encontro realizado no dia 21 de agosto

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Temática: Enquadramentos, angulações e planos. A imagem, o olhar e o áudio-documental. Diferentes representações e possibilidades expressivas.

Revisão: vamos relembrar algumas questões fundamentais que foram abordadas no nosso encontro.

“Se observamos a realidade muito próximos dela…a realidade se torna fantástica”
(Diane Arbus .Fotógrafa (1923-1971)

Podemos observar nesta frase dois sentidos: que a realidade é fora do comum, extraordinária, prodigiosa, fascinante e que essa realidade só existe em nossa imaginação. Essa relação ambígua é o próprio paradoxo da fotografia documental.

Quando falamos de imagem documental, de que fotografias estamos deixando de falar? uma imagem pelo só fato de ser construída perde esse caráter de documento?, como poderíamos estabelecer as características básicas que nos definam a fotografia documental? É a forma de fotografar um certificado de veracidade?, a foto documental é então um monte de mentiras?

Analisamos exemplos de fotografias que usaram o mais sofisticado da tecnologia ou câmaras primitivas, imagens obtidas de maneira mais tradicional ou imagens obtidas com câmeras digitais, ensaios realistas que criam efeitos dramáticos e fotografias que procuram um ideal estético.

Pensamos que toda fotografia pode-se ler desde uma perspectiva documental, se consideramos que responde a inquietudes, dúvidas, afirmações ou negações de uma época e um contexto próprios do criador; que tem a ver com ideologias, crises, crenças, sonhos, utopias e realidades. E concluímos que, a fotografia documental se faz experimentando, é um “processo de construção” onde se incorporam metodologias e técnicas de investigação social.
Análise áudio-visual.

A respeito do áudio documental, idealizamos a construção do som nas suas diferentes formas expressivas: palavra, ruído e música, dando especial destaque à valorização do silêncio.

Analisamos na imagem sua própria linguagem, e sua irredutibilidade à palavra: ambas se complementam, se questionam, se problematizam, mas nunca se submete uma à outra.

Outra poesia para nós e desta vez de Manoel de Barros. (Seu olhar procura o pequeno, o sem importância).

De tarde fui olhar a Cordilheira dos Andes que
se perdia nos longes da Bolívia
E veio uma iluminura em mim.
Foi a primeira iluminura.
Daí botei meu primeiro verso:
Aquele morro bem que entorta a bunda da paisagem.
Mostrei a obra pra minha mãe.
A mãe falou:
Agora você vai ter que assumir as suas
irresponsabilidades.
Eu assumi: entrei no mundo das imagens.

De: Ensaios fotográficos (2000) Poema “O poeta” (fragmento) ZUNÁI – Revista de Poesia & Debates.

material da aula sobre enquadramento, clique aqui.

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